Mitos sobre o Transtorno alimentar | Parte 1

Postado originalmente em www.vidafit.com.br

POR BIANCA CAMARGO EM 5/05/2014 ·
PAPO CABEÇA

Quem leu meu post “Menina, você não tem um problema” sabe que a estratégia mais recente que eu adotei para combater meu transtorno alimentar foi simplesmente decidir que eu não o tenho mais. Penso realmente que acreditar em algo faz com que ele se torne verdade muito mais facilmente – e vem funcionando. Vários dias já se passaram sem recaídas e, mais do que isso, com muito menos neurose. Mas o meu caso é muito específico: estou há quase um ano completamente consciente da minha condição, da compulsão, da bulimia… Já passei por médicos, psicólogos e expandi minha autocrítica o suficiente para conseguir alguns progressos sozinha, mas a maior parte das pessoas que tem transtorno alimentar sequer admite isso.

Além disso, as pesquisas e publicações sobre o tema não são muito frequentes, e poucas realmente chegam ao grande público. Sinto na pele a falta de jeito das pessoas ao lidar com o TA, o estranhamento, o preconceito… E como uma das nossas missões aqui no Vida Fit é ajudar a divulgar a importância de propagar uma relação tranquila com a comida e de lidar com a alimentação de maneira mais natural, preparamos uma série sobre os mitos que rondam o transtorno alimentar.

Quem comenta é a psicóloga Camilla Monti. Aproveitem a primeira parte!

Mito 1: Os transtornos alimentares não são doenças.

Camilla: Por mais triste que possa soar, transtornos alimentares como a anorexia e bulimia são considerados doença internacionalmente, pelos dois maiores códigos internacionais que temos: o CID 10 ( Classificação Internacional de Doenças – 10 – a que atualmente é válida no Brasil) e o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Saúde Mental). E, por serem doenças, têm sim, que serem cuidados por uma equipe multidisciplinar de médicos, psicólogos, nutricionistas e . O maior empecilho é que quem tem transtorno alimentar não consegue se enxergar como doente, o que dificulta o primeiro passo na procura por ajuda.

Mito 2: Parar de comer, comer demais ou provocar vômito são escolhas pessoais e basta força de vontade para parar com esse quadro.

Camilla: Fazer escolhas não é algo simplesmente consciente e 100% de nossa responsabilidade. Diversos estudos mostram como podemos ser influenciados no nosso dia a dia a fazer escolhas, há um grande número de publicitários, médicos, psicólogos e outros cientistas que estudam maneiras e como se pode influenciar inconscientemente nossas escolhas.

Nós não nascemos prontos e moldados, com qualquer “doença” já pronta. Somos fruto de uma genética que nos faz com biótipos totalmente diferentes, inseridos dentro de uma família que tem seu jeito de funcionar, filhos de pais que fizeram o melhor que podiam (na maioria dos casos), criando seus filhos como acreditaram ser o melhor, mas que também foram filhos criados da melhor maneira que os pais deles acreditavam!

Nossa história familiar (a contada e não contada) também influência em quem somos e nossas escolhas. As experiências que passamos desde que nascemos, em casa, na escola, na rua, influenciam em quem somos. Não podemos deixar de lado o contexto atual em que vivemos: as mulheres são expostas, a todo momento, a todo tipo de mídia dizendo como é lindo ser magra, sem celulites, estrias, que estar sempre maquiada é o mais bonito. E geralmente essas revistas não estão nos mercados ao lado dos chocolates, balas etc.?

Assim, se observarmos que temos uma genética, uma história familiar, um contexto que nos diz como devemos ser, o que é importante é que devemos pensar que não somos tão livres quanto gostaríamos para fazer escolhas. “Ah, então não é minha culpa eu ser assim!”, alguém pode pensar… Mas na verdade, é também, porque somos seres que tomam decisões, que atuamos no mundo. Então, do resultado de todas essas influências e de nosso estar no mundo é que aparecem também nossas escolhas.

Estudos mostram que a tomada de decisões em pessoas com transtornos alimentares possui alterações a nível cerebral, ou seja, o processo de escolher entre parar de comer ou comer muito e então ir vomitar também se mostra diferente na maneira como nosso cérebro responde à essas decisões. Ter força de vontade, motivação para escolher diferente é importante sim e ter ajuda especializada – seja com médicos, psicólogos, nutricionistas,ou familiares e amigos, também é necessária.

Logo, não é só decidir diferente, mas realizar uma mudança no seu modo de agir, de pensar, de escolher e que também vai influenciar mudanças nas suas relações; é preciso olhar suas motivações e o significado que cada decisão que você toma, tem para você, a nível pessoal e social também.

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7 comentários sobre “Mitos sobre o Transtorno alimentar | Parte 1

  1. Ola,Bom dia! Sou estudante do curso de Psicologia 1°Período. Eu e meu grupos estamos estudando os efeitos psicológicos, que a bulimia traz ou pode trazer.
    Gostaria de saber se alguém poderia responder um questionário, não e necessário identificação, e somente para um levantamento de dados para nossa pesquisa.
    O link para o questionário e este https://pt.surveymonkey.com/s/R3TNPQK
    Muitíssimo obrigada pelo espaço,foi muito importante para nos iniciarmos a nossa pesquisa .

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  2. Oi bianca eu tenho uma pergunta todos dizem que ficar vomitando da câncer no estômago bom se dá câncer assim tão rapido porque vejo história de muitas pessoas que dizem que já estão a anos com esse problema e até agora não vi nenhum caso.
    e queria saber também porque a quedas no cabelo quando se tem esse problema ?

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  3. tenho bulimia, procurei ajuda e nao consigo aceitar .
    faz quase 1 semana que não vomito e foi o tempo mais longo desde que comecei o tratamento , só que ao mesmo tempo faço restrição , não consigo comer , tenho medo de comer e acabar vomitando ,quero melhorar mas não estou sabendo lidar com tudo isso, eu definitivamente estou perdida

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  4. Sou obesa, meu marido não me ama mais por esse motivo e entrei numa de fazer regime. Tudo bem!!! Só que agora estou sentindo fome não sei se é ansiedade, mas cada vez que vou comer algo, pode ser uma fruta,eu tenho que tomar marchantes de medo de engordar. Será que estou doente e estou me odiando também?

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  5. Tenho bulimia e estou em processo de recuperação. após me sentir totalmente sem saida, achei esse blog, li alguns depoimentos de superação e foi de onde tirei forçar pra iniciar a minha libertação. Criei um canal para falar abertamente sobre o assunto..chega de ter vergonha e carregarmos sozinha o pesoa dessa doença. nao é futil, nem errado termos transtorno alimentar!
    https://youtu.be/0Gq1TVIl1-M

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